Ao meu Cachimbo
de António Simões Júnior (portugués)


Oh! meu amigo, meu insigne companheiro
das noites de insónia, passadas em vão,
que tal a nossa vida ? Tal o fumo derradeiro
da nossa ridente e desfeita ilusão ?


Quando chora o coração, a dor mais aperta...
teu fumo azulado em zig-zag, noite escura,
se eleva no espaço... minha alma deserta
de sois e esperanças, de carinhos e ternura !


De noite, janela aberta, olhando a rua
silenciosa... e iluminada p'la lua,
ficamos quedos e sós, a meditar tristemente.


E no ar paira uma sombra obscurecida
que não sei se é fumo, ilusão desta vida,
ou um olhar que interroga mansamente.

Fuente: www.olhao.web.pt