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Ao meu Cachimbo |
Oh! meu amigo, meu
insigne companheiro
das noites de insónia, passadas em vão,
que tal a nossa vida ? Tal o fumo derradeiro
da nossa ridente e desfeita ilusão ?
Quando chora
o coração, a dor mais aperta...
teu fumo azulado em zig-zag, noite escura,
se eleva no espaço... minha alma deserta
de sois e esperanças, de carinhos e ternura !
De noite, janela
aberta, olhando a rua
silenciosa... e iluminada p'la lua,
ficamos quedos e sós, a meditar tristemente.
E no ar paira
uma sombra obscurecida
que não sei se é fumo, ilusão desta vida,
ou um olhar que interroga mansamente.
Fuente: www.olhao.web.pt